A ironia arrasta uma linha oscilante de voz que conduz a entrevista, atropelando o locutor, e revela um Monteiro Lobato que usava a genialidade não apenas na escrita, mas também nas palavras ditas de imediato. Está disponível no Youtube a última entrevista cedida pelo escritor, dois dias antes da morte.
“Cá entre nós, que ninguém nos ouve”, Lobato foi pessimista, simpático, ácido e irônico ao responder e encerrar as perguntas feitas pelo radialista Murilo Antunes Alves, da Rádio Record, naquele julho de 1948.
Para quem nunca ouviu a voz do criador do Sítio do Pica-Pau Amarelo, essa é uma boa oportunidade de compreender como se portava o polêmico taubateano em conversas sobre política, literatura e carreira.
Impossível não se assustar com algumas das declarações, ou não rir ou ser simpático ao que ele diz ao longo da gravação. Pensando no contexto histórico e nas referências do autor, fica mais fácil compreender algumas das passagens.
A entrevista com Monteiro Lobato pode ser ouvida na internet pelo www.youtube.com, digitando “Entrevista com Monteiro Lobato” na busca do próprio site. O áudio está dividido em três partes, em um total próximo a 25 minutos.
De pequenos clubes em Camden, no norte de Londres, a palcos gigantescos. O Coldplay tornou-se um nome mega no pop, e o Brasil acompanha o crescimento da banda.
Liderado pelo vocalista Chris Martin, o grupo já se apresentou duas vezes no país. A primeira foi em 2003, em turnê do segundo álbum, “A Rush of Blood to the Head” (2002). A segunda, em 2007, para promover “X&Y” (2005). Em ambas as datas, passaram por casas relativamente pequenas, como o Via Funchal (capacidade: 6.000 pessoas).
Agora, com o álbum “Viva la Vida” (2009) na bagagem, a banda retorna ao Brasil. Mas, desta vez, os shows serão enormes -hoje, na praça da Apoteose, no Rio; terça, no estádio do Morumbi, em São Paulo.
Os shows atuais do Coldplay contam com produção maiúscula: em vez de um telão, eles colocam seis espécies de lâmpadas que transmitem imagens da banda. Elas ainda soltam confetes em formato de borboleta, que se espalham entre o público. Há um palco menor, em que os músicos tocam em formato acústico.
“Tocávamos em locais pequenos, para poucos. Nosso público vem aumentando e aumentando. Hoje, nos sentimos confortáveis tocando em frente a muitos fãs. E para isso precisamos de uma estrutura de palco boa, à altura”, disse à reportagem o baixista Guy Berryman.
“Lovely Bones”. “Adoráveis Ossos”. Talvez o título original de “Um Olhar do Paraíso” mais complique que explique do que trata esse filme estranho, mas encantador. Como ossos poderiam ser algo adorável? “Talvez em se pensando que a garota Susie Salmon (a jovem diva Saoirse Rona), que no primeiro minuto do filme deixa claro:
“Fui assassinada aos 14 anos, em 6 de dezembro de 1973. E que, apesar de ter sofrido um crime brutal, é capaz de manter sua doçura e de perdoar seu algoz”, respondeu Peter Jackson à reportagem durante a maratona de lançamento que o filme percorreu no fim do ano passado.
Não é de surpreender que um nome como Jackson esteja à frente do projeto de levar para o cinema o livro de Alice Sebold. Mais que o recurso do narrador morto , a autora foi capaz de reconstruir a psique de uma adolescente e narrar seu processo de amadurecimento post morten. E poucos diretores conseguem se comunicar tão bem com o público adolescente quanto Jackson.
Imagine um triângulo amoroso inserido num contexto em que a realidade se confunde com o imaginário. É justamente esse mix de sensações que compõe a peça “Play - Sobre Sexo, Mentiras e Videotape”, inspirada no filme –quase homônimo– “Sexo, Mentiras e Videotape”, de Steven Sonderberg, que estreia amanhã no Teatro Colinas, em São José dos Campos
Sob direção de Ivan Sugahara, o elenco composto por Sérgio Marone, Cynthia Falabella, Daniela Galli e Rodrigo Nogueira, brinca com intimidades e o conceito espaço-tempo.
No espetáculo, César (Rodrigo Nogueira) trai a esposa Ana (Daniela Galli) com sua cunhada, Carla (Cynthia Falabella). Nesse contexto, o triângulo é desestabilizado com a chegada de Sérgio (Sérgio Marone), um amigo de César que realiza um projeto com gravações de depoimentos íntimos de diversas mulheres.
“É uma brincadeira de fazer um projeto sobre o filme, que acaba se tornando a própria peça da qual ele faz parte. É um jogo da verdade e da ficção, do teatro e da vida. Por isso, o nome ‘Play’”, explica Rodrigo Nogueira, responsável pelo texto.
Neste sábado, dia 20, às 20h30, a banda Ratos de Porão se apresenta no Sesc São José dos Campos. O grupo já tem mais de 25 anos de carreira e nascceu no início da década de 1980, quando o movimento punk paulista começou a ganhar força. Além de ser referência do gênero musical no país, a Ratos de porão também tem uma forte carreira internacional, principalmente na Europa.
No show, que será apresentado no Sesc, o grupo apresenta o seu último trabalho, intitulado “Homem Inimigo do Homem”. No repertório estão canções como “Covardia de Plantão”, “Expresso da Escravidão”, “O Equivocado” e “Quem te viu…”. Atualmente a banda é formada por João Gordo (vocal), Jão (guitarra), Boka (bateria) e Juninho (baixo). O Sesc fica à avenida Adhemar de Barros, 999, centro. Informações pelo telefone (12) 3904-2000.
Desde que o padre Marcelo Rossi se lançou com cantor, o mercado fonográfico brasileiro percebeu que esse era um filão comercial excelente. Aliás, há cinco anos que os campeões de venda são os padres. Em 2009 não foi diferente, padre Fábio Melo vendeu 264 mil cópias de “Iluminar”, pela Som Livre. Ele aparece de novo na sexta colocação com “Eu e o Tempo ao Vivo”, com 196 mil cópias.
Sem demora, a Sony Music anunciou o lançamento de um selo gospel. A direção executiva do segmento gospel está nas mãos de Mauricio Soares. Na mesma oportunidade a ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Discos), entidade que reúne as principais empresas do segmento fonográfico nacional, divulgou oficialmente a liderança isolada da Sony Music entre as gravadoras do país.
“Teremos total apoio da estrutura que a Sony Music possui para atender às demandas do mercado secular onde é líder nacional. Vamos adaptar as necessidades, cultura e peculiaridades do mercado gospel à realidade do segmento secular. Ou seja, quero unir o que há de bom na música gospel com a expertise profissional da Sony Music. Creio que em pouco tempo o mercado já irá perceber as grandes transformações desta nova filosofia de trabalho”, adiantou Mauricio Soares.
Mesmo assim, é fácil ver que a crise na indústria não é só boato. O número de cópias de Fábio Melo é bem inferior ao primeiro lugar de 10 anos atrás. Em 2000, foram vendidos R$ 891 milhões no Brasil inteiro contra R$ 312 milhões no ano passado. Mas em 2000, Marcelo Rossi já era campeão.
Delphic Acolyte
Polydor
A música do Delphic agradou público e crítica de maneira geral. É um indie eletrônico, com elementos que fizeram sucesso nos anos 80. Mas o disco não soa exatamente datado. O que acontece é que, em vários momentos, a música do Delphic lembra o New Order e isso pode levar os fãs do estilo com mais de 35 anos a rememorar suas baladinhas juvenis. Mas não se trata de um álbum saudosista. As canções do Delphic, embora sejam bem características, são como uma trilha sonora anônima: bela, mas não marcante. Por estranho que possa parecer, apesar disso “Acolyte” consegue ser um bom disco e uma grande estreia para o Delphic.
(Nota 08)
Nick Jonas and the Administration Who I Am
Hollywood Records
Sim, é ele mesmo: Nick Jonas do trio Jonas Brothers! Sabendo disso, antes de mais nada, para analisar este álbum é preciso se livrar de qualquer preconceito existente contra um ídolo teen que resolve ampliar os horizontes de sua vitoriosa carreira. “Who I Am” nitidamente traz
o garoto querendo crescer. E Nick de bobo não tem nada: recrutou 3 fundadores da banda de Prince, a New Power Generation, e se cercou de uma equipe à prova de qualquer suspeita. Um timaço. Musicalmente, o impecável álbum traz um Rock cheio de groove, com produção caprichadíssima usando e abusando de arranjos elaborados. Boa surpresa.
(Nota 7)
Katherine Mcphee Unbroken
Verve Forecast
Conhecida por sua participação na 5º temporada do reality show American Idol, Katherine McPhee faz sua estreia pela Verve Forecast records. “Unbroken” merece repercussão e deve satisfazer todos aqueles que se impressionaram com o talento da loira. O álbum traz um repertório cuidadosamente elaborado, com ótimas composições escolhidas a dedo, todas elas muito bem arranjadas e principalmente, prontas para emplacar nas paradas ao redor do mundo. Tudo feito na medida para Katherine McPhee brilhar, explorando os belos timbres de sua voz e interpretando músicas de fácil assimilação.
(Nota 6)
Ouça “Katherine Mcphee”:
Adriano Pereira, repórter e colunista do valeviver
Uma importante figura na história do samba, Germano Mathias, é a atração desta terça-feira, dentro da programação especial de Carnaval, promovida pelo Sesc Taubaté. A apresentação de Germano Mathias tem início às 15h, e será marcada pela execução de grandes clássicos do Carnaval brasileiro, como “Lanterna na Mão”, “Samba da Rosa”, “Quem Samba Fica”, entre outros.
Desde a infância, o sambista já ouvia os grandes sambistas que marcaram as décadas de 1940 e 1950, principalmente os intérpretes de samba sincopado e de morro. Entre suas influências estão Ciro Monteiro, Jorge Veiga, Moreira da Silva, irmãs Linda e Dircinha Batista, Aracy de Almeida e Caco Velho, conhecido por cantar sambas de Ary Barroso. E é este último que Germano Mathias homenageia em seu último CD intitulado “Tributo a Caco Velho”, gravado em 2005.
Tem samba no Sesc Taubaté“Germano Mathias”, hoje, às 15h, no Sesc Taubaté. Show aberto ao público com entrada franca. O Sesc Taubaté fica à avenida Milton de Alvarenga Peixoto, 1264, Esplanada Santa Terezinha. Informações pelo tel. (12) 3634-4000.
Professor de filosofia do que seria, na França, o ensino médio, Thibaut de Saint Maurice percebeu, numa tarde cinzenta de inverno, que as explicações sobre o “raciocínio experimental” eram incapazes de alterar, minimamente que fosse, o olhar de seus alunos. Estavam todos alheios ao que dizia. Foi então que, tal e qual reviravolta num roteiro, ele lembrou-se do doutor House, o médico que dá nome a uma das séries mais vistas no mundo.
“Ao escrever no quadro-negro, para ninguém, lembrei do House tentando explicar aos colegas, no hospital, a pertinência de suas hipóteses”, diz. “Perguntei aos alunos se conheciam o House. Até os que olhavam pela janela se voltaram para mim. Começamos a falar sobre a descoberta dos diagnósticos pelo personagem e, então, toda aquela história de “diálogo entre razão e experimento’ ganhou sentido.”
Nascia assim “Philosophie en Séries” (”Filosofia em Séries”), publicado na França, sem tradução no Brasil. Se são muitos os subprodutos que as séries procriam, poucos são os que se mostram tão inventivos e, digamos, filosóficos.
“A riqueza das séries é inexplorada”, diz o autor, em entrevista. “Todas juntas, são um formidável espelho da vida contemporânea e constituem um grande reservatório de experiências e de situações com as quais muita gente se identifica.” Por isso, sentado em frente à TV, Maurice resolveu filosofar e, de posse de um livro de Kant, acabou por pensar em Jack Bauer, “antikantiano” por excelência.