Sophie Colle e Grégorie Bouillier trocaram farpas ontem à tarde em uma mesa propositalmente montada para promover o diálogo entre os dois artistas que viveram um romance cuja ruptura foi transfomada em arte no projeto “Prenez soin de Vous”.

A artista conceitual francesa serviu de inspiração a ele para o livro “Convidado Secreto”, que está sendo lançado no Brasil. Ele, no mesmo dia em que publicou o livro, enviou a ela um e-mail que ensaiava um término de namoro.

Pela primeira vez desde essa ruptura, os dois sentaram para discutir a relação. O resultado foi um público volumoso nas tendas e diálogos ásperos no palco. Apesar de em alguns momentos da mesa parecerem performáticos, os autores afirmaram anteriormente não estarem fazendo isso como mera promoção dos novos trabalhos.

Ao receber o e-mail de Grégorie, Sophie-que carrega no currículo trabalhos como o em que seguiu um desconhecido por duas semanas fotografando-o sem que ele soubesse-disse não ter entendido o que o escritor queria dizer ou o porquê do término. Ela  então decidiu mostrar esta ‘carta’ a mulheres que trabalham em diferentes áreas do conhecimento para que elas analisassem aquelas palavras sob diferentes ângulos.

“Eu li e não sabia se o rompimento era definitivo ou se havia abertura. Tentei entender e inverter a situação com uma boa resposta. Pensei que podia fazer do limão uma limonada”, disse. Assim ela buscou uma especialista para avaliar a grafia da carta, uma psicanalista para falar das entrelinhas da mensagem, uma jornalista para produzir um artigo e, ao todo, reuniu 107 avaliações e respostas diferentes para aquele e-mail.

“Terminei com o papagaio, que engoliu a carta”, disse ela arrancando risadas da plateia. Assim, o que a princípio parecia ser uma questão pessoal, acabou sendo transformando por ela em arte. “Eu teria preferido que ele voltasse para mim, mas o projeto teria se tornado artificial. Então me aprofundei no projeto”.

Do outro lado da história, Boullier disse se incomodar com o fato das pessoas confundirem o autor desta carta com o escritor. “Quem escreveu foi Grégorie só, não Grégorie Boullier. Não era um texto de escritor. Diferente de quando você escreve um livro, no e-mail podemos escrever como quisermos”, se defende das acusações feitas por uma das avaliadoras a respeito de erros gramaticais.

Apesar de falar que se sente privilegiado por fazer parte desse projeto, ele afirma não estar de acordo com a intenção de Sophie-mas também afirmou que optou por não interferir no processo criativo.  ”Esse e-mail se tornou 107 vezes terrível”, disse, explicando que ele termina dizendo para ela se cuidar. E ela retrucou: “Eu sei me cuidar muito bem, você sabe disso. É sempre um aprendizado”, disse.

Boullier disse que o e-mail foi enviado no mesmo dia em que o livro “Convidado Secreto” foi lançado e que, nele, já era anunciada a ruptura com Sophie. “Teria sido mais aceitável que ela tivesse arrancado essa página do livro e dado esse trabalho, aí sim como escritor, para ser avaliado”, criticou.

A artista voltou ao microfone para dizer que não era evidente esse anúncio de ruptura e para afirmar que essa não foi uma resposta com intuito de vingança. “É de alguém que acredita na palavra e faz dela um fetiche”, disse. Ela afirma que seguir um desconhecido por duas semanas foi uma forma dela ficar
obcecada por alguém com a segurança de que poderia sair da relação quando quisesse e sem feridas.

Com o projeto das cartas, ela disse que foi como se tivesse feito uma terapia para se distanciar do e-mail de Grégorie. Ele, por sua vez, reconhece nos dois a semelhança de enxergarem o mundo como uma grande ficção. “Enxergamos ficção em tudo”, disse.  Por mais que tenha se tornado porta-voz de muitas mulheres, Sophie afirma que a intenção não era essa. Ela afirma que o convidou para vir a Flip dividir mesa com ela, porque além dessa história, ele está lançando o livro no Brasil. “Nos bastidores ele me falou que se eu o perdoasse ele casava comigo, mas eu não o perdôo”, disse ela. “Eu também não garanto que casaria com você”, encerrou, divertindo a platéia.
 


Chico Buarque estava à  vontade, ontem à  noite, durante a mesa literária mais disputada da 7º Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) até o momento. Ao lado de Milton Hatoum, que este ano lançou “A Cidade Ilhada”, ele falou sobre o processo de criação de seu livro “Leite Derramado”.

Descontraídos, os dois convidados brincaram com as coincidências que encontraram entre as histórias que contam, que também têm em comum o fato de serem contextualizadas por fundamentos tirados da história brasileira. “Quando acabei de escrever o meu livro li o de Milton e pensei que ele havia me copiado. Mas vi que ele lançou antes, então digo que sou inocente”, brincou Chico.

Os dois também dão voz a narradores centenários que por meio de memórias e reflexões amarram uma trama que passeia pelos diferentes momentos históricos nacionais.  “Em Budapeste me perguntaram por que eu tinha escolhido um país que eu não conhecia para ambientar uma história. Então eu pensei que podia escrever em um tempo que eu não conhecia e voltei aos anos 20. Depois de ouvir a uma música gravada por Mônica Salmaso e que chamava “Velho Chico” eu criei esse narrador e consegui chegar ao Brasil do Império ou Colônia”, disse Chico.

O artista falou sobre a dificuldade que sente em se afastar de um personagem depois de se dedicar exclusivamente à  história sobre a qual escreve. “É difícil encontrar a voz depois de tanto tempo assim, sendo essas pessoas. Apesar dos preconceitos deste meu último, acabei criando uma empatia que me impedia de denunciá-lo”.

Chico brincou com o fato de esse narrador ainda estar tão impregnado em sua vida, dizendo que chegou a quebrar o pé por culpa dele. “Era o velho me lembrando que ainda estava ali”, riu. Hatoum, ao contrário, disse já estar livre do personagem central do novo livro—-feito por encomenda para uma série sobre mitos de uma editora internacional. “Já estou até trabalhando em outra história, que não sei onde vai dar. Otávio Paz diz que o romancista é o biógrafo dos fantasmas e é bem isso”, comparou.

Chico conta que muito do que está em “Leite Derramado” é informação que ouviu seu pai contar. “Ele, como historiador, contava muitas histórias. Não sou grande conhecedor da obra dele, gostava mais de fofoca”, disse ele, depois do comentário bem-humorado de que uma de suas fontes seria o Google.

As fontes de Hatoum também são as memórias de família, além de alguns documentos. Na Vila Bela criada por ele, uma realidade e um misticismo semelhantes aos da cidade de Parintins (AM), onde foi criado, é que dão tom à  narrativa. “Voltei à  cidade e ouvi histórias que eu poderia inserir no meu texto. É a minha experiência de infância e juventude, porque lá eles acreditam mesmo em cidades encantadas e a apresentação do meu livro é justamente a lembrança de mitos que ouvia. Porque os mitos fazem viagens, eles são a construção humana”, disse.

Ele diz, entretanto, que escrever a história que idealizou era um desafio, pois queria fugir do simples relato de um mito e desejava escrever um relato em que o mito se transformasse em ficção. “Fiz um relato mítico em narrativa realista”, disse. Nesse universo fantasioso dos mitos duas personagens fortes emergem das lembranças dos personagens criados pelos dois autores. São mulheres fortes e cujo mistério da existência foi preservado por opção.

“O fim de Matilde eu sei qual foi, mas eu não conto para não trair o meu personagem. Ela ocupa os sentimentos dele a vida toda e lhe destrói a vida afetiva porque ele não encontra nenhuma outra como ela. É uma ferida que vai sendo construída dentro do livro por meio da memória dele. Mas ele não quer relatar o que aconteceu com ela e, embora eu saiba, só dou pistas sobre isso. As pessoas me perguntam “foi isso?” e eu respondo que pode ter sido”, disse Chico.

A “musa” criada por Hatoum é formada por ambiguidades. “A relação dela com o personagem central é ostensiva, mas no fim o leitor não sabe se ela é um personagem real na vida dele”, disse o autor. Chico declarou gostar de escrever para ler e afirmou ser lento na escrita em razão disso. “Eu escrevo e releio. No dia seguinte eu acordo, leio tudo de novo e volto a escrever. Até a hora que não dá mais tempo. A concessão da escrita se deve à maneira da escrita e eu gosto mais de ler que de escrever. Escrever é uma chatice”, surpreendeu.

Para Hatoum, o desafio de escrever uma novela [no sentido literário] é falar de muitas situações e conflitos em poucas palavras. E Chico brinca: “É difícil. Meu livro tem 150 páginas, mas o personagem repete tanto as histórias que se tivesse que cortar daria 20 páginas”, diverte a plateia. Questionado se costuma transportar a literatura para a música que faz, ou se o processo é inverso, ele respondeu que não mistura uma coisa a outra.

“Quando escrevo não mexo com música. Não ouço nem escrevo, talvez só uma musiquinha de fundo, daquelas chatas que grudam na cabeça. Vejo, sim, uma necessidade musical no meu texto. Se ele não estiver cantável na minha cabeça eu o recuso”, disse. Os convites para esta mesa da Flip foram os primeiros a esgotar, logo ao primeiro dia de venda. Ontem, as duas tendas ficaram lotadas—-o que não é uma constante na programação geral—-e uma multidão de pessoas se aglomerou em volta da tenda do telão para ver o artista. Ao final, Chico autografou um número limitado de livros.


Ideias Antagônicas

Cristóvão Tezza dividiu a atenção do público na tarde de sexta-feira com o escritor mexicano Mario Bellatin. Com ideias antagônicas sobre o papel da experiência pessoal na construção de uma narrativa, eles acabaram concordando em alguns pontos de vista durante a mesa “O eu profundo e os outros eus”.

Tezza é autor em evidência no mundo das letras e ganhador de prêmios importantes como o Jabuti e Bravo! de literatura. Seu último lançamento, “O Filho Eterno”, tem o projetado na mídia não apenas pelo fluxo de ideias que domina e transforma em escrita com linguagem única, mas também pela coragem que teve em transportar para o papel as angústias de um pai de um portador de Síndrome de Down após 20 anos de espera para escrevê-lo.

“Tenho um filho com a síndrome, mas eu peguei esse factual da minha vida e me afastei para virar um personagem e poder bater nele. Precisei desaparecer da minha vida para ter a história na minha. O prosador tem de ser um impostor, porque se só falar a verdade não fica interessante. Só o poeta é que fala a verdade e você tem de aceitar”, disse.

Bellatin, que conquistou a crítica com a publicação de “Flores”, e também é autor de “Salão de Beleza”, “Damas Chinesas” e “El Gram Vidrio”, é conhecido por suas próteses artísticas no ausente antebraço direito e por se posicionar contrário aos textos autobiográficos.  “Mas a minha obra talvez tenha um conteúdo autobiográfico que está lá no meu interior e que eu não tenho acesso. Mas há uma linguagem, um ponto neutro e eu procuro tratar o silêncio.

Os leitores acham que o escritor tem de estar presentes nos livros, mas não é assim”, disse.  Para Tezza, é preciso fazer uma separação entre a confissão e o literário para possibilitar a percepção estética da vida. “Penso nos desfiles nazistas. Aquilo era uma destruição do humano colocando todos em um mesmo padrão. Você nega a subjetividade quando faz parte do olhar alheio mas não tem o próprio olhar”, disse.

Bellatin diz que se preocupa em fazer livros para que leitores de quaisquer níveis intelectuais cheguem até o final da história. “Quero que eles entendam que onde tem um buraco é um vazio, um sopro. Quero que eles leiam o silêncio”, disse.  Ele afirma que deseja que os textos que escreve sejam interpretados pelas pessoas de maneira solta, distante da visão fechada das academias. “Quando publico um livro sinto que tenho um cúmplice, que é o leitor. Ele se tora um co-autor com suas várias leituras. Eu transformo fragmentos e lógica em escrita escapando de qualquer classificação como correntes ou épocas”, disse.

Recentemente o autor polemizou ao promover um fórum literário em que, ao lugar de escritores de renome que prometeu levar ao encontro, levou pessoas que conviveram com eles por seis meses e aprenderam jeitos, pensamentos e obra desses autores. “Eram os escritores mais aclamados e, no dia, estavam ali reunidas 40 ideias deles. O autor às vezes não pode brindar o texto dele, mas essa circunstância permitia que isso fosse feito por meio desses dublês”, disse ele, questionando se as pessoas que receberam mal a ideia estavam mais interessadas em um show e em autógrafos ou em uma troca de idéias.

Falar em estabelecimento de uma literatura nacional, para os dois, é querer criar rótulos. “Falar em correntes literárias está fora do meu campo de preocupação. Isso é mais política que literatura”, disse Tezza. Ele conta que sua experiência como cronista em um jornal de grande circulação no Sul do país mudou a percepção sobre os impactos de sua escrita. “Ali eu percebi que existe um ser curioso que é o leitor. Escrever para o jornal requer uma responsabilidade que para o livro não existe. O jornal é mais pragmático. E nós escritores somos um funil de mil visões e intuições que vêm de fora”, disse.


Afeganistão e Mongólia foram os países que impulsionaram a discussão do final da manhã de ontem na tenda dos autores da Flip que reuniu, sob o título “O Avesso do Realismo”, os premiados Atiq Rahimi e Bernardo Carvalho-autores que beberam da realidade para comporem os livros “Pedra-de-paciência” e “Mongólia”, respectivamente.

Carvalho disse considerar a sua obra realista, embora o nome da mesa da qual participava sugerisse o contrário. “Mas ao mesmo tempo essa história que escrevi traz a sua própria destruição. Eu escrevia sabendo que a qualquer momento aquela história ia desabar, mas isso não fez com que eu parasse”, disse.

O escritor brasileiro, que também é jornalista, viajou pela Mongólia para criar o seu personagem-um homem perdido em meio a uma cultura totalmente diferente da sua-e disse que, no país em que é ambientado o livro, ele não pode circular. “Eles pensavam que sairia um relato sobre o país, mas eu escrevo sobre alguém que fica desesperado ali no meio sem entender nada”.

Ele defende que na literatura há contradições interessantes. “Há livros que as pessoas não querem ler, mas que não deixam de ser bons. É importante que a arte reproduza algo em que as pessoas não se reconheçam, ou que faça com que elas se reconheçam em um lugar em que nunca se reconheceriam”, disse.  Carvalho conta que, no recém-lançado livro “O filho da Mãe”, fez contato com mães de soldados que foram à guerra e que, dali, uma série de reflexões o guiaram para a escrita.

“Fiquei pensando no papel delas. Não acredito que se o mundo fosse dominado pelas mães não haveria guerra. Porque este é um amor incondicional, também paradoxo, que pode levar à morte de alguém. É um amor que dá origem à guerra”, concluiu. Para ele, o medo é peça importante na construção de uma história baseada na realidade.

O pânico que sentiu ao fazer contato com uma tribo da Mongólia o fez perceber que “sentir medo é interessante porque quebra uma ideia pré-estabelecida de algo e coloca a realidade a seu favor. Essa experiência depois é transformada em ficção”. Rahimi, por outro lado, disse que o conceito de realismo, para ele, é vago.

“O texto é verdadeiro, partindo da ideia de que eu o estou escrevendo. A realidade é uma base que pegamos e destruímos. É uma coisa fluida que precisamos quebrar para transformar em matéria como uma reconstituição da própria realidade”, disse.


A intimidade desnudada por meio da escrita de duas autoras francesas reverenciadas internacionalmente foi posta lado a lado na manhã de hoje durante uma coletiva de imprensa durante a 7º Flip (Feira Literária Internacional de Paraty). Sophie Colle e Catherine Millet, que participam de mesas amanhã e domingo, falaram sobre projetos em que a vida privada serve de base para a criação literária.

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Sophie, que faz uma mostra do seu último projeto “Prenez soin de vous” (Cuide de você] neste mês em São Paulo, é autora de Suite VÃ netienne, livro lançado em 1979 a partir de fotografias que fez de um desconhecido que seguiu por duas semanas.Catherine Millet é crítica de arte, mas causou polêmica ao lançar, em 2001, o livro de memórias “A vida Sexual de Catherine M.”. Seu mais recente trabalho, “Dia de Sofrimento”, fala sobre o ciúme que sentia das traições do marido.

Ainda que falem sobre sentimentos, sexualidade e conflitos da vida pessoal, ambas as escritoras dizem que os leitores têm a falsa impressão de que ao entrarem em suas histórias conhecem a vida das autoras.

“Às vezes as pessoas acham que meu trabalho é a minha vida, mas ele reúne coisas que aconteceram comigo, coisas banais a todos, mas que não são a minha verdade ou intimidade”, disse Sophie Colle.

Catherine Millet diz que não consegue inventar histórias, mas que a ficção é aliada de suas experiências postas em papel. “Eu só conto o que aconteceu comigo, mas o ficcional entra com as minhas fantasias. Eu me inspiro na minha vida e nos clássicos dos romances”, disse.

A autora disse ainda que escrever intimidades implica em fazer escolhas. “Você escolhe sobre o que quer contar e, por isso, cria uma barreira ao redor de você. Surge uma relação dialética entre o livro e o autor. Depois de lançado, ninguém, nem o próprio escritor, sabe quem ele é pois as coisas ainda estão acontecendo”.

Catherine afirmou que quando é tomada por sentimentos é como se se dividisse em duas. “Há a pessoa que sente a emoção e a que imediatamente a analisa. Essa segunda personagem já procura palavras para essa experiência, buscando condições para criar um novo cenário de sua própria vida”, disse.

Para Sophie, a emoção é instigante. “Quando eu sinto algo me pergunto logo o que vou fazer com isso. Mas crio mecanismos para não deixar esse sentimento seguir adiante. Uma história de sofrimento de um ano para mim é menos interessante que sair para comprar um vestido”, disse.

Em seu último projeto, que será exposto no Sesc Pompéia a partir do dia 12, Sophie que se sente artista acima de escritora parte de uma carta de amor escrita por um homem para uma mulher. Dezenas de mulheres foram apresentadas a esse conteúdo e a reação de cada uma foi analisada por ela. “Eu pedi para elas responderem a essa carta e é como se fosse uma ação terapêutica”.

A interação entre a psicanálise e a escrita das duas autoras foi posta em pauta e Sophie tratou o assunto com humor. “Meu pai uma vez me mandou a um terapeuta dizendo que eu tinha mau-hálito. Quando contei o motivo porque estava no consultório o profissional me perguntou: “Você sempre faz o que o seu pai lhe diz para fazer?”. Foi minha única experiência, mas eu sempre quero sair das emoções”, disse.

Catherine disse que escreveu “A Vida Sexual de Catherine M.” apóss uma segunda passagem por um psicanalista. “Escrevi este livro para escapar deste analista”, sorriu a autora, que desde cedo percebeu seu interesse pela literatura, mas que achou na crítica de arte uma boa maneira de começar a produzir.

Ela conta que foi atraída para o mundo das letras em razão da biblioteca formada em casa pelo pai, enquanto Sophie disse ter sido influenciada pelos quadros pendurados à parede da casa em que cresceu. Mas a imersão na literatura foi reflexo de outra experiência pessoal. “Quando jovem morei sete anos fora da França e voltei com o sentimento de que não agradava mais ao meu pai, porque estava gorda e feia. Comecei a escrever, então, para reconquistá-lo”, disse.

Para Catherine, que escreveu seu último livro que fala de ciúmes a partir de uma percepção visual e de fantasias propostas pelas obras de Salvador Dalí, diz que “quando a vida pessoal de uma pessoa é dominada pelo olhar, ela se torna um espião. E quem tem ciúme é sempre um espião.”

Ela diz que os desdobramentos da vida que provocam sofrimentos só acontecem “porque é difícil associar sentimentos com a moral que carregamos”.

Isabela Rosemback, enviada especial a Paraty


Entre o grupo de convidados internacionais da Flip deste ano está Richard Dawkins, estudioso que deu continuidade à  teoria evolucionista de Charles Darwin em tempos modernos. Em coletiva de imprensa concedida na manhã de ontem, ele disse que o livro A Origem das Espécies, escrito pelo naturalista há 150 anos, é o mais importante já produzido na história e que só não é reconhecido ainda hoje porque continua esbarrando em religiões.

“Não que todas as religiões são nocivas, há algumas que motivam o fiel a ser bom. Mas há muitas outras, fundamentalistas, que motivam coisas ruins como a guerra com bombas em nome de Deus”, disse.

Dawkins considera, além da Seleçãoo Natural, a influência do gene na evolução do homem. “Os genes mais fracos não sobrevivem ao meio enquanto os mais fortes sim”, disse.

Para ele, as pessoas precisam da figura de um Deus para explicar muitas das coisas que ainda geram dúvidas. Sobre as críticas severas que recebe em trabalhos como o que questiona a existência de um ser superior, ele afirma: “Essas coisas impressionam porque ainda hoje não se pode atacar as religiões. Por isso me chamam de agressivo ou arrogante”.

Ele atribui à ignorância –no sentido literal da palavra– o fato de muitos se apoiarem à religião. “Muitos não conhecem a teoria da evolução de Darwin. As pessoas sabem que são alguma coisa com macacos, algo assim”.

Perguntado se ele concorda com quem diz que religião e ciência não podem andar juntas, ele cita que Einstein falava em Deus, mas que esse Deus não pertencia a nenhuma religião. Dawkins afirma que o mistério envolto nas histórias contadas pela Bíblia é o que provoca fascinação.

“Mas é difícil entender como cientistas podem acreditar em coisas como andar sobre a água ou transformar água em vinho”, disse.

“A noite, quando falou para o público da Festa, ele discursou sobre ciência, religião e os 200 anos de Charles Darwin.

Isabela Rosemback, enviada especial a Paraty


Amores em crise, conflitos na China, a união entre realidade e ficção e evolucionismo foram temas de ontem nas tendas dos autores participantes da sétima edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty).

Na mesa “Verdades Inventadas”, Tatiana Salem Levy, Arnaldo  Bloch e Sérgio Rodrigues falaram sobre lançamentos em que utilizam elementos da própria família ou da história geral para desenvolver uma narrativa. Arnaldo Bloch, em “Irmãos Karamabloch”, tenta fugir do seio do clã da família “fundadora da Rede Manchete” para construir uma história a memorialista ao mesmo tempo em que conserva característicass dos romances.

“Ter nascido ali fez com que eu interpretasse o mundo com a  visão deles até determinado momento, mas, quando fui para a academia, passei a conhecer o mundo pela minha experiência e tive vontade de sair da da barriga dessa família. Foi quando saiu da Manchete e fui para o Globo”, disse.

Ele conta que colheu depoimentos de familiares para compor o  livro mas que, em determinado momento, percebeu que ele não era nada sem as gravações descobertas com declarações de parentes falecidos.

“Assim o livro ficou orgânico, coeso e plural. Mas  escritores erram ao pensar que fazer uma apuração minuciosa dos fatos é fazer o leitor tomar posse daquela história. Pensar assim é ignorar a subjetividade e as diferentes interpretações que ela pode gerar”, disse.

O jornalista Sérgio Rodrigues afirmou que no livro “Elza, a garota” –em que conta a história verídica de uma jovem morta pelo partido comunista– conseguiu mostrar diferentes facetas dos principais envolvidos reais do fato narrado.

“O maior risco era mexer em políticas muito marcadas e que se  ampliaram com os anos: a direita e a esquerda. Porque a morte de Elza é um fato pouco estudado que a esquerda não queria contar e que a direita não contou por incompetência”, disse.

Para ele, escrever esse livro foi uma tentativa de lidar com um fardo brasileiro recente por meio da literatura –que, ainda em sua visão, se resume em “uma palavra atrás da outra” que podem, em determinado momento, não funcionar. “A gente tem de voltar nelas para ver em que pedaço houve um problema”, disse.

Tatiana Salem Levy, que escreveu “A chave de Casa”, conta que as histórias de seus antepassados judeus que eram expulsos para a Turquia pela inquisição serviram como ponto de partida para este premiado livro de estreia da autora.

“Comecei a pesquisar a história e vi que não ia chegar a nada do que eu queria, porque não era a verdade dos fatos que eu buscava, mas sim uma outra verdade escrita com palavras e estilos próprios. Eu transformei em sangue próprio histórias que tinha ouvido”, disse.

Quando leitores perguntam se passagens do livro são verdadeiras ou não, ela diz que não tem resposta. “As vezes é tão misturado que nem sei se aconteceu. Por isso não tenho a sensação de que eles conhecem a minha vida”, disse.

SEPARAÇÕES: ­ Outro assunto em pauta nas mesas desta quinta-feira, na Flip, foi o amor em crise, discutido e declamado pelo cineasta Domingos de Oliveira e pelo escritor Rodrigo Lacerda.

A novidade apresentada por Oliveira é que ele já tem o roteiro da continuação do longa “Separações” na gaveta, aguardando por patrocínio. “Somos todos mendigos”, brincou.

Com bom humor, ele falou sobre o tema de maneira performática e afirmou: “Meu amor é meu e eu dou para quem eu quiser”.  Para ele, a personagem é quem conduz uma narrativa.

Rodrigo Lacerda, que lançou o livro “Outra Vida” –romance sobre um casal que enfrenta turbulências no relacionamento tentando sobreviver na cidade grande–, diz que livro pra cima é aquele que fala de amor. Livro pra baixo é o que fala sobre relacionamentos.

A primeira mesa do dia reuniu autores de quadrinhos, reforçando a diversificação literária possibilitada pela escrita de que falou, ao valeparaibano na última terça-feira, Mauro Munhoz, presidente-diretor da Casa Azul, entidade que organiza a Festa.

Rafael Coutinho, Fábio Moon, Gabriel Ba e Rafael Grampão projetaram curtas histórias criadas por eles sem os típicos balões que fazem parte dessa linguagem. Dessa forma, o público pode acompanhar a interpretação que eles deram a essas falas. Eles discutiram a influência dos quadrinhos no cinema e o mercado específico atual.

Isabela Rosemback, enviada especial a Paraty


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Participar de uma coletiva de imprensa em que o entrevistado é Gay Talese é, em grande parte do tempo, como se estivesse ali para ouvir a sua escrita. Em pouco mais de uma hora de reunião com jornalistas durante a 7º Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), apenas dois repórteres tiveram a oportunidade de fazer perguntas, respondidas com longa  narrativas de bastidores de reportagens que utilizam recursos literários para contar histórias reais.Um dos grandes nomes do chamado “Novo Jornalismo” e autor de textos consagrados como “Frank Sinatra Está Resfriado”, Talese está aqui no Brasil, a três horas de São José dos Campos, para divulgar seu novo livro “Vida de Escritor”. Vestido com um fino terno bege composto pela combinação de uma camisa verde e uma gravata amarela, ele optou por ficar de pé para falar sobre a experiência da busca por uma boa história para escrever.

Ele também aproveitou a oportunidade para falar sobre a própria história pessoal e profissional e fez críticas sobre o jornalismo deste século. “No meu começo, na década de 60, não se falava tanto da privacidade das pessoas. Isso surgiu depois que as mulheres ganharam espaço e depois que instaurou-se o politicamente correto”, disse.

Perguntado, pelo primeiro repórter sobre os métodos que ele usa para a apuração de uma reportagem, ele afirmou que não há técnicas, apenas é preciso manter contato com as pessoas pelo olhar. “Você tem de estar lá. Não tem outro jeito”, disse criticando o excesso do uso do Google no jornalismo.

Na sequência emendou a resposta com uma longa narrativa sobre como um simples jogo de futebol feminino o levou a Pequim. “Um dia, em julho de 99, eu estava no meio de um livro que eu não sabia mais para onde ia. Resovi então assistir um pouco de televisão e, zapeando canais, parei para assistir a um jogo de futebol em que jogavam mulheres chinesas.”

Com senso de humor, ele contou que nada entendia das regras, mas que naquele momento entendeu que ali havia uma representação da China daqueles tempos. Uma jogadora em particular, Liu Ying, chamou sua atenção ao perder um lance decisivo do jogo.

“Era é História que eu assistia. Depois da Revolução de Mao Tse-Tung aquela jovem estava representando o país na Copa e então fiquei imaginando como seria ela voltando de avião, com a derrota. Pensei: é vou ter de encontrá-la, tenho de vê-la, fazer um telefonema”, disse. Essa inquietude sempre tão presente na trajetória de Talese é a motivação que ele tem para encontrar histórias para suas narrativas, como mais tarde respondeu ao segundo repórter. “Antes de mais nada precisamos ser curiosos”, disse.

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Em pouco tempo estava sentado diante da chinesa da televisão que não o recebeu com muita cortesia e tentava se fazer entender. Só que nem ela, nem ele e nem o tradutor conseguiram fazer com que a tentativa fosse bem sucedida. “Mas eu sempre mantive o contato com ela pelo olhar. Eu fiz uma ‘fotografia’ dela naquele momento”, disse.Persistente, ele foi conversar com a mãe da jogadora. “Quem escreve histórias de não-ficção tem de ser perseverante”, disse. Ali percebeu que tinha uma história muito mais ampla que a que havia imaginado inicialmente.

“Faria a história da família pelo ponto de vista de três mulheres de diferentes gerações. A mãe se tornou uma personagem interessante. No final, acabei conversando com todo o pessoal ao redor da jogadora, mas não com ela”, disse.

Esse processo durou três meses, tempo em que viveu naquele país. “Imaginava que nas Olimpíadas de Sidney a China ganharia e esse seria um fim perfeito para a minha reportagem, mas ela perdeu nas semifinais. Isso tudo quer dizer que você não pode prever o que vai acontecer, você apenas tem de estar lá, aberto às possibilidades”, disse.

O texto nunca foi publicado, mas Talese imagina que um dia, quando morrer, alguém vai redescobri-lo e se interessar por ele. “Escrevi para a História e não para a jogadora”.

Para ele, quando o jornalista faz o primeiro contato com a fonte ele está vendendo a sua imagem a ela. “Você primeiro bate à porta da pessoa e se apresenta dizendo que não é um gangster ou um pedinte. Então é que ela abre a porta e você entra”, disse.

Depois de relembrar a sua trajetória um filho de alfaiate que passou a infância sendo mau aluno em uma comunidade isolada em que o pensamento conservador da Igreja podava perspectivas de vida positivas, mas que, depois, se transforma internacionalmente em um dos grandes nomes do jornalismo ele volta a reforçar a ideia de que o jornalista tem de aparecer [no sentido de se mostrar para as oportunidades que surgirem].

Foi assim, com uma simples indicação de um suposto primo do chefe do “New York Times”, que ele apareceu na redação pedindo o primeiro emprego que teve em jornal. De lá para cá, os livros e as reportagens que produz dizem por si só.

Isabela Rosemback, enviada especial a Paraty
Foto: Sérgio Fonseca/ Divulgação


A dialética contida na obra de Manuel Bandeira, autor homenageado da 7º Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) foi amplamente abordada pelo crítico literário Davi Arrigucci Jr na conferência de abertura das mesas de autores que se prolongam até o próximo domingo na cidade. Em uma hora e meia de apresentação, Arrigucci revelou um poeta intenso norteado pelo drama da morte e pela poética encontrada na pobreza cotidiana.

Arrigucci abriu a mesa dizendo que tentaria ser “breve e intenso” como era Bandeira. Não foi breve, embora falasse com intensidade de ritmo e entonação vocal, mas amarrou com competência a apresentação partindo de três pontos que considerou fundamentais para a análise da obra do poeta: como ele concebeu a poética dele, como a praticou e qual o sentido deixado por ela.

“Bandeira voltava às memórias antigas e sentia uma emoção diferente da banal e ligou isso é experiência do poético. Essa emoção é a sensação do universo que ele chamou de alumbramento”, disse.

A partir desta palavra o crítico teceu as diferentes interpretações da escrita carregada de simbolismos deixada pelo poeta. “Ele se daí conta que raros momentos são de uma iluminação espiritual, a que chamava de alumbramento, e, embora em alguns poemas haja uma raiz erótica, há um alumbramento no sentido de epifania, não mais material. É a complexidade da escrita com base no concreto, mas com um fundo perdido”, disse Arrigucci.

Ele conta uma breve biografia do homenageado para reforçar que, na obra Bandeiriana, a ideia de finitude e o drama da morte sempre estiveram presentes e, mais que isso, o confronto entre o alto e o baixo que seriam a sofisticação e a pobreza dos fatos cotidianos marcaram a principal fase da produção deixada, que se deu principalmente nos anos 1920 e 1930.

Do alto de um sobradão na Vila Tereza, no Rio de Janeiro, Bandeira tinha uma visão restrita de mundo que só lhe foi ampliada quando desceu aos pés do morro, mais precisamente na Lapa.

Quando o pai morre, ele descobre na lírica uma escrita de fatalidade e deixa a área de conforto para descobrir o humilde. “Ele ali deixa uma grande lição, que é a da superação de um gosto cabotino da perda, e desvia do sentimentalismo que o destino lhe previa. É quando percebe o cotidiano e que poesia pode estar no “baixo”, afirma o crítico.

Ele sintetiza dizendo que Manuel Bandeira escrevia sobre o complexo de maneira simples, além de unir inspiração à arte. “Ele prestava atenção nas correções que poetas como Castro Alves faziam nos textos que escreviam para que chegassem ao poema certo”, disse.

Por isso, a sonoridade precisa e cheia de significações da poesia de Bandeira. “Ele entende que um fonema pode ser catastrófico”, disse o crítico. Em outros momentos, a raiz poética do autor se revela pela ênfase ao sublime que o aniquila. “O amor e a morte está no miolo da lírica Bandeiriana.”

Amanhã, dia 3, promete ser um dos dias mais disputados da Flip. Nas mesas literárias, Chico Buarque e Milton Hatoum debatem o tema ‘Sequências Brasileiras’, às 19h.

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Bernardo Carvalho fala com o afegão Atiq Rahimi em mesa às 11h45. Atiq ganhou no ano passado um dos principais prêmios literários franceses, o Goncourt, por “Syngué Sabour: Pedra-de-Paciência”, já lançado no Brasil.Já Cristovão Tezza debate com o mexicano Mario Bellatin às 17h. A primeira mesa, às 10h, trata de poesia e tem Heitor Ferraz, Eucanaã Ferraz e Angélica Freitas.


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Paraty foi tomada na primeira tarde da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) por criaturas de unhas grandes e geladas, baleias, santos em plena praça e muitas, mas muitas crianças agitadas. O Centro Histórico, graças a elas, ontem se manteve barulhento.Enquanto os adultos esperavam a programação voltada a eles começar, quem aproveitava a festa eram as crianças e os adolescentes, que desfrutavam de dois espaços montados só para eles: a Flipinha e a FlipZona.

Em um palco baixo, autores e ilustradores infantis falaram sobre seus trabalhos, mas quem permanecia ouvindo o que eles diziam por todo o tempo destinado à mesa eram os adultos. As crianças tentavam, mas acabam sendo sugadas para um outro espaço colorido e cheio de livros feito só para elas logo ao lado.

O blá blá blá de escritores não era tão divertido, para os pequenos, quanto os diferentes livros pendurados às árvores ou espalhados no chão da tenda ao lado. Amigos disputaram entre eles algum títulos e adoraram aqueles em que eles podiam mexer nos personagens criados de maneira interativa.

Mesmo assim alguns ouviam por algum tempo a convidados como a ilustradora de livros infantis Rosinha Campos e o autor Márcio Vassalo. Eles falaram sobre a magia das fantasias que as crianças criam e sobre como isso pode se transformar em incentivo à leitura.

“Quando meu filho inventou uma guerra de monstros usando uma luva com unhas compridas que ficou um dia no congelador, ele me chamou para a batalha. Na verdade eu era o leitor dele, porque ser escritor é isso. É exibir suas fantasias para outra pessoa”, disse Vassalo.

Rosinha disse estar ansiosa para saber qual é a nova geração de leitores infantis. “Só não é leitor, hoje, quem não quer. Antigamente o acesso das crianças aos livros era restrito, mas mesmo assim elas não deixavam de sonhar”, disse.

No mesmo espaço aberto da Flipinha estão cartazes produzidos por alunos da escola pública de Paraty, que participam desse projeto educativo o ano inteiro porque, ao contrário da Festa, a Casa Azul (que organiza a Flip) mantém a Flipinha como um programa municipal que atende a 10 mil crianças constantemente.

Em meio a todo esse cenário cheio de informações, os jovens também se deslumbram. “Eu gosto de ler, então estou adorando porque fico abrindo os livros vendo as figuras mudarem”, disse Luiz Eduardo Vieira Maciel, 12 anos.

Os amigos de Luiz aguardavam ontem, com ansiedade, as oficinas de barquinhos, flores de papel e outras tantas das quais pretendem participar. “É muito interessante. Fico o dia inteiro. Hoje (ontem) ainda está calmo porque é o primeiro dia”, disse Emili Silva de Moura, 11 anos.

No espaço FipZona o público-alvo são os adolescentes. Em um telão, filmes mais densos como documentários sobre favelas ou infância perdida atraem a atenção de grupos que se inquietam e cochicham sem parar.

O ambiente tem pé direto alto, cheira a barro seco das paredes de (não) revestimento rústico. Os poucos focos de luz que iluminam o espaço evidenciam quadros coloridos e instigantes. Tirando algumas falhas no vídeo, o lugar é uma das boas opções para quem não conseguiu comprar os ingressos com antecedência (se estiver sobrando espaço para adultos, claro).

Isabela  Rosemback, enviada especial a Paraty